MRV/Fischer estima minimizar efeito dos distratos sobre as vendas até fim de 2018

A MRV Engenharia pretende minimizar o impacto dos distratos sobre o total de imóveis comercializados até o fim de 2018 por meio da adoção do modelo chamado internamente de "venda garantida". Neste processo, as vendas são contabilizadas pela companhia apenas depois de o financiamento ser liberado pelo banco ao comprador do imóvel, eliminando o risco de rescisões nos negócios.  

"Lá em 2018, o distrato estará em um patamar bastante baixo, próximo de zero", estima o copresidente da MRV, Eduardo Fischer, em entrevista ao Broadcast. "Queremos ser uma empresa com receitas mais previsíveis e que não dê surpresas para ninguém. No futuro, teremos distrato zero", acrescentou. 
 
Entre janeiro e março, os distratos foram de R$ 271,2 milhões, o equivalente a 20,5% das vendas brutas. Esse patamar já é melhor do que o registrado um ano antes, de 26,0%. 
 
O novo modelo anunciado representa uma evolução frente à prática atual da MRV, que contabiliza a venda após a aprovação do crédito pelo banco. Essa medida já ajudou a reduzir a incidência de distratos, mas não eliminou o problema. Dessa etapa até e liberação do crédito, de fato, ainda transcorrem cerca de 30 a 60 dias, quando podem surgir algumas complicações. 
 
Fischer explica que a implantação do novo modelo terá um impacto inicial sobre o reconhecimento da receita, pois irá "adiar" as vendas. No primeiro trimestre, este processo implicou na postergação de aproximadamente 5% das vendas, que só serão reconhecidas nas semanas seguintes. 
 
Esse porcentual pode crescer moderadamente ao longo do ano como reflexo do avanço na implantação do novo modelo, que já abrangeu em torno de 10% das vendas entre janeiro e março. "À medida que a operação ganhe escala, o impacto pode ser um pouco maior. Estamos fazendo de forma escalonada para que o impacto não seja tão grande. Ao longo de 2017, imagino que já será plenamente implantando", estimou Fischer. 
 
Lançamentos. O copresidente da MRV reiterou as perspectivas de expansão dos lançamentos neste ano, com novos empreendimentos nas praças onde a incorporadora tem diagnosticado falta de estoques de imóveis e alta demanda dos consumidores. A companhia já detém 17 mil unidades com registro de incorporação. Segundo Fischer, o cenário é positivo para o mercado imobiliário com unidades dentro do Minha Casa Minha Vida (MCMV) e financiadas com recursos do FGTS. "Estamos sentindo o mercado melhorar. Vemos maior interesse dos consumidores", disse. 
 
A estratégia de crescimento no ano envolverá o lançamento de "mega projetos", que concentram entre 3 mil e 7 mil unidades. Os mega projetos consumirão investimentos de R$ 2,6 bilhões no lançamento de mais de 26 mil unidades residenciais com Valor Geral de Vendas (VGV) potencial de R$ 4,3 bilhões. Os lançamentos ocorrerão em etapas, de acordo com o ritmo de vendas. 
 
O planejamento inclui as cidades de São Paulo e Salvador, além das regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. No começo do ano, já foi lançado o maior projeto da história da MRV, o Grand Reserva Paulista, em Pirituba zona norte da capital paulista. "O movimento nos estandes está bem grande e superou nossas expectativas", disse. 

Fonte: O Estado de S. Paulo, Economia, 18/04/2017