Leves sinais de reequilíbrio na área imobiliária

Depois da queda constante dos últimos três anos, surgem leves indícios de estabilização tanto dos preços de venda como do valor dos aluguéis de imóveis. Isso ocorre tanto nos imóveis comerciais como nos residenciais, segundo os índices FipeZap mais recentes. Os dados parecem indicar que o pior momento da crise imobiliária vai chegando ao fim. Um dos fatos conjunturais mais significativos é o aumento da intenção de compra ou de locação das empresas, em especial as de maior porte.

A demanda de imóveis comerciais é também indicador precioso do ritmo da atividade econômica. Empresas em dificuldades fecham centros administrativos e pontos de venda, reduzem áreas locadas, inclusive em shopping centers (pois estas áreas têm elevado custo de aluguéis e condomínio), e concentram as atividades em espaços mais reduzidos. Em muitos casos, isso decorre do corte de pessoal que ocupava as áreas que foram desativadas. 

Essas práticas, inclusive de grandes cadeias varejistas, ocorrem com regularidade em quase todos os shopping centers de São Paulo. No primeiro semestre, segundo o levantamento, houve queda média de preços pedidos e aluguéis dos imóveis comerciais colocados à venda em quatro municípios (São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Porto Alegre). Corrigidos pela inflação, houve quedas reais de 2,17% e de 1,93%, respectivamente. Mas, em São Paulo, já se nota leve alta do valor das locações nas áreas mais caras. 

Com a divulgação, há poucos dias, da pesquisa FipeZap de imóveis residenciais, constatou-se que a tendência negativa arrefece. Entre junho e julho de 2017 houve queda de 0,15% nos preços pedidos e, na comparação entre julho de 2016 e julho de 2017, recuo de 0,38% nos preços de apartamentos localizados em 20 cidades do País. Em São Paulo, os preços ficaram estáveis entre junho e julho e houve alta de 0,65% entre os primeiros sete meses de 2016 e de 2017. 

No Rio, onde os imóveis têm o maior preço médio do País, houve recuo nominal de 2,34% entre os primeiros sete meses de 2016 e de 2017. Os imóveis são, em geral, o item mais importante do patrimônio das famílias. Nas empresas, os imóveis figuram entre os itens de maior custo, em geral, sob a forma de aluguéis. A recuperação do mercado imobiliário, portanto, tende a ser mais lenta, mas é também a mais relevante.

Fonte: O Estado de S. Paulo, Editorial Econômico, 09/08/2017