Vendas de imóveis novos crescem 9,6% em SP em SP e 15% no Rio no primeiro semestre

O mercado imobiliário na cidade de São Paulo teve uma queda em junho, mas acumulou crescimento no primeiro semestre, com recuperação dos lançamentos e das vendas, depois de atingir recorde de baixa em 2016.

As vendas de imóveis residenciais novos atingiram 1.853 unidades em junho, queda de 11,6% em relação ao mesmo mês do ano passado. Já no acumulado do primeiro semestre, a comercialização totalizou 7.888 unidades, representando aumento de 9,6% em relação ao mesmo período de 2016, de acordo com pesquisa do Sindicato da Habitação (Secovi-SP).

Os lançamentos de novos projetos imobiliários em junho abrangeram 1.502 unidades, 31,0% menos na mesma base de comparação. Já no acumulado do primeiro semestre, foram lançadas 6.547 unidades, resultado 10,3% superior. Com isso, o estoque de imóveis à venda, considerando unidades na planta, em construção e recém entregues, chegou a 21.043 unidades em junho, redução de 4,2% em relação a maio e queda de 14,5% comparado a junho do ano passado.

O Secovi-SP projeta que o mercado imobiliário de São Paulo terminará 2017 com um crescimento em torno de 10%. Segundo o presidente do sindicato, Flávio Amary, uma das alavancas das vendas daqui para frente deve ser o barateamento dos empréstimos para a compra de moradias, refletindo o ciclo de cortes da taxa básica de juros (Selic). "O mercado aguarda a redução na taxa do crédito e os ajustes nos critérios de concessão dos financiamentos", afirmou.

Para o sindicato, o resultado do semestre foi positivo, especialmente devido ao fato de que o volume de vendas foi 20% maior do que os lançamentos, levando à redução dos estoques. Isso contribuirá para que empreendedores se animem a lançar novos projetos, movimentando as atividades do setor. 

Já o vice-presidente da entidade, Emílio Kallas, ponderou que a cidade precisa realizar ajustes no Plano Diretor, que se tornou restritivo às construções, inibindo novos investimentos. "Os ajustes em alguns parâmetros urbanísticos do Plano Diretor são indispensáveis para sanar dúvidas e motivar os empreendedores", ressaltou.

Por Circe Bonatelli

Fonte: O Estado de S. Paulo, Economia, 08/09/2017

 

Venda de imóvel novo no Rio sobe 15%, mas valor cai 25%

As vendas de imóveis novos na cidade do Rio de Janeiro subiram 15% no primeiro semestre, na comparação com janeiro a junho de 2016. Seria boa notícia, não fosse um recuo de aproximadamente 25% no preço das unidades, segundo estimativas calculadas com base em dados preliminares de mercados pela Ademi-RJ, associação que reúne as empresas de construção.

— Já houve recuperação no número de unidades vendidas pelas incorporadoras no Rio, reduzindo a oferta de imóveis novos em estoque. A questão é que o preço médio está abaixo do praticado um ano antes — explica Cláudio Hermolin, presidente da Ademi-RJ.

A retomada no preço dos imóveis, continua ele, virá apenas com uma nova onda de lançamentos no setor, o que só deve ocorrer em 2018.

— Neste segundo semestre, devem surgir, aos poucos e pontualmente, alguns lançamentos. As incorporadoras estão com projetos prontos para serem tirados da gaveta. Mas tudo depende também do cenário político-econômico ainda incerto — pondera Hermolin.

O tombo no valor dos imóveis usados à venda na cidade foi registrado pelo Sindicato da Habitação do Rio (Secovi-Rio), seguindo movimento que já acontecera no preço das unidades para locação. De janeiro a julho, o preço médio do metro quadrado dos imóveis para venda recuou 5,25%, para R$ 9.331/m². Enquanto nos sete primeiros meses de 2016 houve alta de 3,20%, batendo R$ 9.775/m².

— O movimento começou no aluguel, que hoje tem o preço médio do metro quadrado equivalente ao de 2012. Em imóveis para venda, a queda no preço foi pior este ano em consequência a um forte aumento na oferta — destaca Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi-Rio.

Foco na queima de estoque - Ele explica que houve proprietários que adiaram a venda de seus imóveis em razão da crise, temendo perder dinheiro na transação. Como a adversidade no cenário econômico persiste, muitas pessoas decidiram colocar agora os imóveis no mercado.

— Isso fez a oferta subir, afetando o preço negativamente, de forma geral. Ainda assim, já vemos o valor do metro quadrado começar a subir em bairros como Centro, Botafogo, Lagoa e Vila Isabel — pontua Schneider.

À exceção de Bangu, na Zona Oeste, onde o preço avançou 2,21% de janeiro a julho, puxado pelo mercado de imóveis para baixa renda — o menos afetado pela crise e que segue em expansão —, é a relação entre custo e benefício combinada à demanda resiliente que está elevando o preço nos demais bairros. As altas são ainda tímidas: 0,19% no valor do metro quadrado para venda em Botafogo; 0,25% na Lagoa; 0,40% em Vila Isabel e 0,50% no Centro.

— O preço deve cair mais, mas pode ser a chave para fazer a roda voltar a girar, criar oportunidades de negociação e atrair o comprador. Ainda não chegamos à inflexão da curva para preço do imóvel, a incerteza persiste — avalia o presidente do Secovi-Rio.

O valor do metro quadrado de imóveis residenciais à venda no país avançou 1,34% entre janeiro e julho, segundo o Índice FipeZap que acompanha preços em 20 cidades. No Rio, caiu 2,34%, embora siga como o metro quadrado mais caro do país: R$ 10.028.

A recuperação dos preços só é esperada após a volta dos lançamentos no mercado imobiliário, diz Rubem Vasconcelos, presidente da Patrimóvel.

— O foco do mercado carioca é queimar estoque. Só a escassez na oferta vai trazer lançamentos. Enquanto houver estoque, por mais um ano no máximo, os preços seguirão sendo negociados — conta o empresário, dizendo que as vendas do grupo recuaram 20% em volume e valor de janeiro a junho ante igual período de 2016.

Ele chamou atenção para o problema dos distratos, que têm derrubado a saúde financeira do setor. Nos 12 meses encerrados em maio, os distratos equivaleram a uma fatia de quase 40% dos imóveis vendidos no país, de acordo com pesquisa de Abrainc e Fipe. 

Por Glauce Cavalcanti

Fonte: O Globo, Economia, 09/08/2017