Captação de energia solar cresce 300% em ano de crise

Em tempos de crise, produzir a própria energia está se tornando um bom negócio. Desde 2013, quando a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) regulamentou as regras da microgeração distribuída de energia, o segmento nunca cresceu tanto como no último ano. No segundo semestre de 2016, o país registrava cerca de quatro mil instalações desse tipo em casas e prédios. Hoje, são cerca de 15 mil, um aumento de 300%.

No Rio, o boom se refletiu também na quantidade de empresas especializadas na instalação de placas solares. Há dois anos, eram menos de dez no mercado carioca. Hoje, são mais de 30. Gerente de um resort para cães, o técnico em eletrotécnica Marcos Ramalho Nogueira, de 32 anos, entrou há dois anos para o ramo.

- Com essa expansão do mercado, muita gente mudou de área de atuação para atender à nova demanda - diz Marcos, integrador da Blue Sol Energia Solar, que enumera as vantagens: - Embora o custo de instalação ainda seja caro, existem bancos que fazem financiamento com linhas próprias. A redução na conta de luz é enorme, e o equipamento se paga em, no máximo, oito anos. Isso sem mencionar a questão da sustentabilidade, por ser uma energia limpa.

No fim do mês, a economia pode chegar a até 95%, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar). A conta só não pode ser zerada porque o consumidor precisa pagar a taxa de disponibilidade da concessionária, para os momentos em que o gerador não capta luz solar.

- Quando vi a quantidade de sol que batia na minha casa, resolvi investir nas placas. Minha conta chegava a R$ 800 e, hoje, não passa de R$ 100 - diz o ator Felipe Martins, morador de Teresópolis.

Novidades da energia solar

PAINEL TRANSPARENTE - Um estudo da Universidade de Michigan desenvolveu um painel solar completamente transparente. O material pode ser usado em janelas, por exemplo, convertendo a luz em energia, mas sem impedir sua passagem.

ENERGIA DA CHUVA - Na China, pesquisadores criaram um painel que resolve o problema da captação de energia solar em períodos chuvosos e, além disso, gera energia a partir do impacto das gotas de chuva. O material usado é o grafeno.

TELHAS SOLARES - Na Itália, a superfície de captação foi adaptada para telhas comuns, tornando a tecnologia mais adaptável.

TURBINA EÓLICA SOLAR - Um sistema desenvolvido em Londres aproveita duas fontes energéticas de uma só vez. Trata-se de uma turbina eólica equipada com placas solares. Enquanto gira, com o vento, também capta a luz do sol.

Mapa mostra potencial de telhados do Rio

O primeiro passo para instalar um sistema de captação de energia solar em casa é verificar a incidência de sol no local onde o equipamento será afixado. Depois, a partir da média do consumo energético, é possível dimensionar quantas placas serão necessárias para a residência. Todo esse cálculo é facilitado pelo Mapa Solar, que pode ser acessado no novo Armazém de Dados da prefeitura (www.data.rio).

No site, é possível simular um sistema de energia solar inserindo os dados de sua residência ou prédio. Para fazer a instalação, entretanto, é necessário contatar uma empresa especializada.

De acordo com projeção da Absolar, a geração de energia solar fotovoltaica no Brasil deve alcançar o patamar de 1.000 megawatts (MW) de capacidade instalada até o fim do ano, um crescimento de 325% em relação à capacidade atual de 235 MW, suficiente para abastecer cerca de 60 mil residências com até cinco pessoas em cada uma.

A estimativa feita pelo setor coloca o país entre os 30 principais geradores dessa fonte de energia no mundo, com a expectativa de estar entre os cinco primeiros até 2030 em potência instalada anual. Atualmente, estão contratados, por meio de leilões de energia, cerca de 3.300 MW, que serão entregues até 2018.

Os investimentos até o fim de 2017 deverão somar R$ 4,5 bilhões. O crescimento da capacidade instalada favorece ainda a geração de empregos em toda a cadeia produtiva. Pelos cálculos do setor, para cada MW de energia solar fotovoltaica instalados, são gerados de 25 a 30 postos de trabalho.

Por Pedro Zuaro

Fonte: Extra Globo, Rio, 20/11/2017